quinta-feira, dezembro 17, 2009

ENTRE-VISTAS # 9



Ela pretende ser jornalista, pretende ser diretora de curtas, documentários e filmes, pretende ser mãe um dia, pretende viajar muito pelo Brasil e pelo mundo e pretende ser completa assim que possível e assim que puder (isso se der para fazer isso).

Seu nome é Paula Cabral Gomes, aquela que não consegue entrevistar ninguém mais no momento a não ser ela mesma. Tudo isso por se encontrar numa incrível crise de criatividade e existência e não por acreditar ser melhor do que qualquer ser humano existente na Terra (a não ser aqueles toscos que parecem não servir para nada a não ser incomodar os outros).

* por Paula Cabral Gomes *

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Zine Qua Non: Por que Paula?

Paula Cabral Gomes: Meu pai e minha mãe não encontravam um nome bonito, um que os dois gostassem e que ninguém na família já tivesse. Acho que minha mãe viu uma Paula numa novela, sugeriu o nome para o meu pai e ele, simplesmente, adorou. Adivinha o nome dele?! Paulo!

ZQN: Como chegou à conclusão de que queria fazer Jornalismo?

PCG: Na verdade, ainda não cheguei a essa conclusão. A idéia inicial era fazer Rádio e TV, Audiovisual ou Midialogia, mas minhas condições financeiras e meu esforço me colocaram na PUC-SP no curso de Jornalismo (sou bolsista do ProUni). Também recebi uma mãozinha de uma conhecida formada em Rádio e TV que disse para mim: “A única diferença entre o curso que fiz e o Jornalismo é que jornalistas assinam as coisas que são produzidas e os outros não”. Daí, na hora de colocar as opções na lista do ProUni, deu na cabeça colocar Jornalismo – PUC-SP. No meio também tinha audiovisual, letras e artes plásticas. Porém a primeira deu certo. Uma loucura e uma tensão enormes!

ZQN: Mas você está gostando da faculdade?

PCG: Bom, como em todo lugar, as dificuldades são enormes, há inúmeros professores péssimos e a burocracia é gigante. Porém o curso tem seus prós: poucos, mas grandes professores te guiam num caminho que se deve, praticamente, fazer sozinho. Há momentos em que acho que é tudo uma grande fraude (inclusive eu) e que, na verdade, somos todos autodidatas e somos nós que montamos a bibliografia de nossas vidas. Pensando bem, é isso mesmo que acontece. Outra coisa que prejudica toda essa história de faculdade é que ela não existe mais para o que foi criada: ser um lugar para desenvolver pensamentos, raciocínios, opiniões, ser um lugar de criação. Agora é apenas um trampolim para o mercado onde todos repetem as mesmas regras e assim vai empurrando com a barriga. Mas cada um faz sua própria faculdade. Ela é diferente para cada um.

Na PUC, eu fiz minha iniciação científica sobre Novo Jornalismo no Brasil, o conhecido New Journalism de Truman Capote e Tom Wolfe. Ela foi aprovada e, em breve, a defenderei num “Encontro de Pessoas que Fizeram Iniciação Científica”. É, eu não sei o nome do encontro e nem os detalhes, muito menos as datas.

Mas ao mesmo tempo, ela me transformou e muito. Posso me considerar um ser pensante agora.

ZQN: Como, quando e por que nasceu o Zine Qua Non? E de onde você tirou esse nome um tanto quanto, digamos, instigante?

PCG: O Zine Qua Non, também conhecido como ZQN, nasceu em janeiro de 2006, depois de muito ensaio para nascer. Meu namorado teve (tem) um zine com mais dois amigos chamado Colateral e foi por meio dele que descobri as graças de ser zineiro. Encantei-me pela arte de fazer fanzines e, conseqüentemente, amigos pelo país todo e, até, quem sabe, pelo mundo. Além disso, ia começar a faculdade e queria saber qual era a sensação de ter algo meu publicado e qual era o retorno dos leitores. Queria ver uma obra minha, com coisas minhas e das quais gosto numa publicação independente.

O nome vem das palavras sine qua non, que significa “sem o qual não”. Tive a idéia de usá-las quando as li no livro O mundo de Sofia de Jostein Gaarder. Como ia ficar Zine Sine Qua Non e o som ficaria estranho, mudou para Zine Qua Non e daí pari minha primeira obra de arte significante, pelo menos para mim.

ZQN: Para onde você acha que o ZQN pode ir? Qual o futuro dele e que acho... ops... acha sobre ele agora?

PCG: O ZQN é hoje praticamente uma fuga prazerosa. É nele que coloco as coisas que quero, das quais gosto e que quero compartilhar. Ninguém manda nele a não ser minhas vontades. Acho que até por usar ele dessa maneira, ele não tem uma carinha específica, ele muda a cada edição, e também não é tão maduro. Não coloco minhas melhores produções nele, não gasto meses fazendo matérias para ele, fazendo ótimas resenhas, escrevendo textos com incríveis raciocínios desenvolvidos. Ele tem muito que crescer ainda, mas não o acho ruim, uma coisa qualquer, um dinheiro gasto a toa. A idéia é dar um gás no blog de dicas do ZQN, colocar mais atividades para indicar para o pessoal, não só eventos que acontecem em São Paulo, mas também em outros estados.

Esse zine pode ir até onde ele quiser, só depende de mim. Posso levá-lo a qualquer lugar sabendo produzir um bom material para ele e investindo nele. Aí está o futuro dele. Ser algo maior, significativo no meio das produções independentes desse país e, quiçá, do mundo (nossa!).

O futuro dele é continuar a ser livre...

ZQN: Por que você quer tanto comprar patins e por que come tanto doce?

PCG: Os patins seriam uma ótima desculpa para começar a fazer alguma atividade física que não me deixaria entediada. Não consigo passar horas numa academia correndo do nada a lugar algum.

Os doces são para tentar controlar toda a ansiedade que existe dentro de mim. E adivinhe só? Não adianta nada. A sorte é que (pelo menos por enquanto) eu não engordo com toda a besteira que coloco no estômago.

ZQN: Você é viciada em alguma coisa?

PCG: Sou louca por doces e mexo bastante na internet, mas conseguiria viver sem eles (de forma moderada, nada de oito-oitenta, exagero e total abstinência). Não fumo e não bebo por não gostar mesmo e porque um ataca minha renite e outro, meu fígado. Não que eu não tome uma vodka de vez em quando, uma cerveja para comemorar algo, porém é raro. É melhor ter um pouco mais de saúde. Meu probleminha é a internet. Adoro procurar músicas e vídeos novos na rede. Acredito que há um material incrível disponível e que é mal aproveitado. Eu tento utilizar racionalmente essa ferramenta para não me tornar uma pessoa exclusivamente virtual e perder o que há de melhor na vida: os relacionamentos pessoais e contatos físicos.

ZQN: O que o cinema significa para você?

PCG: O cinema é, digamos, um mundo mágico no qual acontece o que você quiser. Cada um, cada diretor cria a história, os personagens, o ambiente da forma que mais o agrada e acha ser mais eficaz em determinado caso. Trabalhar com imagem não é fácil, não é tão simples como pode parecer.

Em minha pouquíssima experiência com vídeo, o que mais me deixou encucada foi a procura incessante pela personalidade, pelo estilo, pela característica do diretor. Primeiro é extremamente complicado definir a si próprio, quanto mais “deixar sua marca” em algum trabalho, saber o que se deve fazer para que isso aconteça e apontar para os outros suas ferramentas e técnicas.

Além disso, tem algo mais sensacional, sentimento mais gostoso do que aquele que sentimos quando luzes se apagam e uma história começa a ser contada? É lindo, é emocionante, é estimulante. O que me renova e me coloca para cima e impulsiona para frente é saber que é possível fazer coisas bonitas, não importa se é drama, comédia, ação ou terror. O belo é o bem feito, bem planejado e desejado trabalho de cada um.

A beleza do Reza Forte (quinto curta dirigido pela Paula, eu, e apresentado na III Mostra de Curtas de São Caetano do Sul) não está apenas nas imagens, na atuação dos atores, na fotografia e no cenário, mas também nas amizades feitas, no aprendizado conseguido com esforço, no trabalho em equipe, no investimento de mais de uma pessoa sobre o mesmo projeto e na realização de alguma coisa. É bom ter algo para chamar de seu e de nosso. É gratificante.

ZQN: O que quer ser quando crescer?

PCG: Crescer mesmo não cresço mais, pelo menos com relação à altura. Mas pretendo ser insatisfeita. Estranho? Não! O estranho seria ler: eu quero ser feliz, jornalista e blá blá blá. Insatisfeita para não estagnar, não parar, sempre procurar respostas e soluções. Assim crescerei (ai sim!), serei alguém, um ser pensante, questionador e ativo. Espero que isso já esteja funcionando há muito tempo.

ZQN: Você acha que esses óculos acentuam sua intelectualidade?

PCG: Hahahaha... Bom, na verdade é uma tentativa de puxar boas vibrações do Ernesto Varella (Marcelo Tas, meu ídolo). Mas por enquanto não tá funcionando muito não. Peno bastante para fazer minhas coisas, não que ele, o Tas, não tenha penado também. Falando sério, comprei esses óculos para deixar de ser tão basicona. Antes eu tinha um sem armação, tão simpleszinho. Daí comprei esse, depois um All Star verde etc. Na real, é para fazer charme. Hehehe...

ZQN: Que cor tem sua alma agora?

PCG: Ela é roxa. Está se purificando. Acredito que ela será dessa cor por um bom tempo ainda. Não posso garantir nada, as situações determinaram como estar, ser e agir...

ZQN: O elefante verde subiu no banquinho para enviar uma carta e tomou groselha?

PCG: Enfim, sós... Adoro pepino com açúcar e torta de chicória com provolone frito. Minha bicicleta quebrou e ando de ponta cabeça agora.

ZQN: Qual o futuro das boy bands?

PCG: Os Backstreet Boys estão com boa parte da turnê agendada, previsão de lançamento de um novo cd para o início do ano que vem, dois dos meninos estão com projeto solo para estrear. O New Kids on the Block lançaram cd novo estão com clipes na TV. Está tudo uma loucura! E eu me divirto! E minha parte considerada “brega” pela “sociedade”. Não podemos nos esquecer da Britney Spears, do Michael Jackson e do Latino.

ZQN: Você vai amanhã lá hoje? E ótemsomdeú?

PCG: Talvez... E depende da palavra... Nossa! Essas foram supimpas!

ZQN: O que acha de pessoas que fazem auto-entrevistas em seus próprios fanzines?

PCG: São pessoas extremamente espertas, gênios da humanidade e egoístas pra cacete. Hehehe... Sério, acho necessário parar, nem que seja uma vez na vida, e fazer perguntas a si mesmo. Só assim nos conheceremos melhor e, conseqüentemente, conheceremos o próximo também. E eu estou num momento cheio de crises, todas as possíveis, de existência, de criatividade, de produção, e precisei parar um tempo. Estou sendo soterrada pela realidade e ir para a tona disso tudo está cada vez mais difícil, mas não desisto e sei que tenho que respirar. Coloquei minha base sobre a família, namorado e amigos para sobreviver. São eles que me alimentam com experiências, músicas, filmes, livros e tudo o que gosto para estar aqui e mostrar para que vim, para que estou aqui afinal.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Aniversário de 4 anos...

Em janeiro de 2006, Zine Qua Non nasceu!
Era bimestral, passou para trimestral, depois semestral, anual, até se tornar um devezemquandário perfeito.
Inevitavelmente, em janeiro de 2010 comemoraremos, colaboradores e eu, os 4 anos de vida desse simples e grandioso fanzine. Simples porque são papéis reciclados com letrinhas impressas, grandioso por ser formado por textos e desenhos de várias pessoas espalhadas pelo Brasil que amam o independente, a arte, a criação etc.
Para mais uma festa, conto com a ajuda de todos que queiram ver suas palavras no ZQN, que ainda viverá muitos anos, nem que seja no meu coração, pois ele foi fundamental para o meu crescimento...

Conto com vocês, leitores e zineiros insanos!

Beijos apertados

A editora