segunda-feira, janeiro 15, 2007

ENTREVISTA #5

Maurício Takara tem 24 anos é membro da banda paulistana Hurtmold e do projeto São Paulo Underground. Já tocou com um monte de gente diferente, às vezes como banda mesmo e às vezes apenas como músico contratado. Entre vários estão: Small Talk, Safari Hamburgers, Xis, Stela Campos, Cidadão Instigado, Otto. Através da música, viajou por várias cidades espalhadas pelo Brasil todo, pelos EUA, pelo Canadá, por vários países da Europa e pela Índia.

* por Paula Cabral Gomes *

Zine Qua Non: Qual a importância do underground para o cenário paulistano e brasileiro?
Maurício Takara: Considerando underground um cenário independente e mais alternativo aos grandes meios, acho que cada vez mais ele se solidifica e se torna como o meio mais viável para os artistas concretizarem seus trabalhos. Visto que cada vez mais os grandes meios de comunicação e de produção se ligam a padrões e ao mercado do que à produção artística.

ZQN: As mídias alternativas ajudam bastante as bandas novas e independentes a divulgarem seu trabalho?
MT: Ajudam sim. Principalmente com a internet, muita gente se liga mais em mídia alternativa do que na grande mídia.

ZQN: Você acredita que, com a internet, o underground deixou de ser underground?
MT: Não. Sempre terá gente fazendo uma arte mais obscura, que não é de fácil acesso ou compreensão.
ZQN: A grande mídia está dando mais espaço para as bandas independentes?
MT: Acredito que não é nem que está dando mais espaço, mas sim sendo obrigado a prestar mais atenção nas bandas independentes.
ZQN: Há quanto tempo você toca? Quantos instrumentos? E como surgiu o interesse pela música?
MT: Comecei a tocar violão e teclado a uns 15, 16 anos atrás. Meu pai começou me ensinando e depois fui estudar com outros professores. Depois de uns 2 anos comecei a tocar bateria. Em 99 comecei a estudar trompete também. Esses são os instrumentos que eu toco mais. Mas gosto de experimentar em quase todos que eu conheço.
ZQN: Assinaria um contrato com uma grande gravadora?
MT: Assinaria se fosse de acordo com todas as coisas em que eu acredito. Ou seja, praticamente impossível de existir numa gravadora grande.
ZQN: Quais os problemas que podem surgir ao ingressar numa grande gravadora?
MT: No meu ponto de vista, normalmente, os principais problemas são a falta de autonomia artística, grandes expectati-vas no sentido mercadológico e excesso de gastos.
ZQN: Como é sua relação com a Submarine Records e como "vocês se conheceram"?
MT: A gente se conheceu através de shows e outras bandas por volta de 97. Nossa relação é talvez até mais de amizade do que profissional. Mas temos uma relação bem saudável, trabalhamos juntos em todos os sentidos na maioria do tempo. Não é um esquema só "disco, números e acertos."
ZQN: Fale um pouco sobre o São Paulo Underground. Como surgiu a idéia de montar este projeto, quem faz parte, como foi o lançamento do Sauna: um, dois, três?
MT: A base do SP Underground sou eu e o Rob Mazurek. Ao vivo tocamos com formações diferentes, no momento com o Guilherme Granado no teclado e sampler e Richard Ribeiro na outra bateria. Esse projeto surgiu quando eu conheci o Rob em 2003, em Belo Horizonte. Ele assistiu a um show do Hurtmold e combinamos de fazer música juntos. O disco sauna: um, dois , três é nosso primeiro lançamento e foi um disco muito bom de fazer. Experimentamos muitas coisas novas nele, tivemos a participação de um monte de gente diferente e tem tido uma resposta boa.
ZQN: Como o Hurtmold se formou?
MT: O Hurtmold se formou em 98, basicamente, por amizade. A gente se conhecia há algum tempo de outras bandas e resolvemos tocar juntos pra ver se sairia algo. Daí pra cá lançamos duas fitas cassetes e quatro cd's. Tocamos por várias cidades do nordeste e sudeste e fizemos uma turnê na Europa no ano passado.
ZQN: Quais as diferenças do underground brasileiro para o de outros países?
MT: É diferente no sentido de realidade, estrutura mesmo. São meio que as mesmas diferenças que você pode notar entre os países em geral. Acho que a produção artística independente é um reflexo bem direto da realidade em que se vive.
ZQN: Quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos músicos independentes?
MT: Acho que a maior dificuldade é saber se colocar no seu devido lugar e contexto. Não adianta querer fazer coisas que não fazem parte da sua realidade ou esperar demais das pessoas e da "cena". Faça o que você tem que fazer e o faça direito que já está ótimo.
ZQN: Quais as grandes diferenças entre o independente e o mainstream?
MT: Não sei dizer bem. Acho que é um pouco o que eu já falei antes. Num esquema maior, tem muita gente com muita expectativa em cima de você, mais dinheiro é investido e espera-se um retorno maior. Mas tem muita gente que trabalha de forma independente, mas com as mesmas manias e limitações do mainstream.
ZQN: Onde está a música brasileira de boa qualidade?
MT:Está em todo lugar. No rap, no samba, na música clássica, no boteco, nas galerias de arte, na rua, na casa de quem a faz... Tem muita coisa boa. É só encontrar.
ZQN: Esse espaço é seu. Deixe seu recado.
MT: Valeu o interesse. Mais informações nos sites www.mtakara.com e www.myspace.com/mtakara . Apareçam nos shows, escutem os discos. Não anule o voto. Beijos.

3 comentários:

Anônimo disse...

eu queria saber se vocês, desse zine, têm postagens em papel, se tiverem eu gostaria de saber como eu faço pra adquiri-las.

ps:o zine eh fodão, heim?!


mail: newton_slip@yahoo.com.br

Harrypicadura disse...

Da uma olhadinha no blog que eu e um colega estamos editando,o //CANTO--DA--SALA\\. A intensao eh falar de musica, artes, cinema, etc. e o principal postar as nossas besteiras (nossos textos, nossos desenhos) ja q ninguem postaria pra gente. o bom disso tudo eh q nos podemos ler coisas que a gente considera boa - ja que eh nossa mermo.

http://cantodasala.blogspot.com

Harrypicadura disse...

ei Paulinha, publicamos a 2ª ediçao do CANTO DA SALA, se quiser, dá uma olhadinha lá, blzz??

http://cantodasala.blogspot.com